Hoje em dia pensar no futuro, não significa como há algum tempo a traz, falar dos jovens. Estes já não representam os sonhos, já não simbolizam a modernidade, a “responsabilidade da sociedade”. Como refere Giroux (2007), deixou-se de acreditar nos jovens. Verifica-se segundo este autor, uma “inversão das prioridades”, quer relativamente aos jovens quer à educação, o estado Neoliberal considera os jovens “uma ameaça a temer e um problema a controlar” (Giroux 2007:7), estes são vistos como responsáveis por grande parte dos problemas da sociedade, problemas esses, que o estado não soluciona, pois encara-os como problemas individuais, investindo assim, no castigo.

Vivemos numa sociedade onde o que é importante são “os valores do mercado”, estes sobrepõem-se aos “valores cívicos”. A educação desliga-se cada vez mais dos valores “democráticos”, passando a valorizar os “valores económicos” e comerciais, onde os alunos são expostos ao consumismo. O conhecimento está ligado cada vez mais à sua aplicação no mercado.
O autor refere que mesmo a escola está a desenvolver uma sociedade individualista e egoísta, está a diminuir a interacção dos professores e dos alunos, assente na “solidariedades colectivas”.
É evidente a valorização de determinados cursos considerados “relevantes” no mercado, pois traduzem o lucro no imediato, excluindo as ciências sociais, humanidades e artes, tudo está a ser pensado em favor do capital.
É necessário que a educação se preocupe mais com questões relacionadas com a justiça, liberdade social, democracia, acção, mudança, exclusão e cidadania, de forma a garantir uma igualdade de oportunidades.
É fundamental como refere Giroux (2007) ter um “pensamento utópico”, no sentido, de acreditar na possibilidade de construir um futuro diferente. No entanto, é necessário que os jovens tenham consciência da injustiça social, para assim, poderem lutar por uma sociedade democrática, construindo assim um futuro mais humano.
GIROUX, henry. (2007), Tempo Publico e Esperança Educada: Liderança Educacional e a guerra contra os jovens. Mangualde: Edições pedago
“A construção do discurso da diversidade e das suas práticas”
José Gimeno Sacristán
O autor, ao abordar o tema da diversidade e suas práticas, leva-nos a reflectir sobre as singularidades e idiossincrasias do ser humano. Como ele refere a diversidade é uma constante da realidade educativa. Faço minhas as suas palavras, quando ele defende que numa sociedade tolerante, liberal e democrática a diversidade é digna de ser respeitada.
Afinal, se a diversidade constitui uma normalidade, e se todos somos seres únicos, a não aceitação das diferenças do outro não implica a não aceitação das nossas diferenças? O autor aconselha-nos a “acostumar-nos a viver com a diversidade e a trabalhar a partir dela” (p.72). Nada mais sensato.
Ele considera que a educação causa e acentua essas diferenças.
Até que ponto se tem respeitado a diversidade? O ensino oferece de facto condições de igualdade?
Se a liberdade de expressão, a garantia à privacidade, o livre pensamento, o exercício da crítica, etc…são direitos que a sociedade democrática reconhece aos seus cidadãos, porque é que se continuam a verificar casos de “violação” desses mesmos direitos, como no caso do professor homossexual, que ao assumir a sua homossexualidade e ao expor e propor as suas ideias/sugestões foi despedido? São de facto situações que nos levam a questionar o conceito de democracia. Assim, podemos constar que o “poeta forte” a que se refere Richard Rorty, tem de enfrentar muitos dissabores para conquistar o seu lugar ao sol.
A educação deve contribuir para a formação de seres autónomos e cívicos, isto implica respeito pelo outro, claro.
Afinal, “ensinar é intervir na vida dos alunos de modo a que estes sejam diferentes do que seriam, caso não recebessem educação” (p.117).
Mas será pública a escola pública? Ao ser pública deveria ter conta os interesses de todos e não se deveriam verificar casos de exclusão.